domingo, 2 de maio de 2010

CORA CORALINA

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas

Poetisa e doceira goiana (1889-1985). Começou a escrever quando era moça,
mas só teve seu primeiro livro publicado aos 76 anos.
Quando seu primeiro livro chegou às mãos
de Carlos Drummond de Andrade ela tinha quase 90.
 Ele foi o responsável por sua apresentação ao mercado nacional e
esta é a carta do poeta maior para ela.

Cora Coralina,
Não tendo o seu endereço, lanço estas palavras ao vento, na esperança de que ele as deposite em suas mãos.
 Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. Ah, você me dá saudades de Minas, tão irmã do teu Goiás! Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado
Cora Coralina.
Todo carinho, toda a admiração do seu
Carlos Drummond de Andrade

"Sou mulher como outra qualquer,
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades."

"Fiz doces durante quatorze anos seguidos.
Ganhei o dinheiro necessário.
Tinha compromissos e não tinha recursos.
Fiz um nome bonito de doceira, minha glória maior."